Informativo-
SURDOCEGUEIRA e DMU
A
surdocegueira é uma terminologia adotada mundialmente para se referir a
pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes.
Para
McInnes (1999), a premissa básica é que a surdocegueira é uma deficiência única
que requer uma abordagem específica para favorecer a pessoa com surdocegueira e
um sistema para dar este suporte. O referido autor subdivide as pessoas com
surdocegueira em quatro categorias: 1-Indivíduos que eram cegos e se tornaram
surdos; 2-Indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos; 3-Indivíduos que se
tornaram surdocegos; 4-Indivíduos que nasceram ou adquiriram surdocegueira
precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem,
habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam
construir uma compreensão de mundo. O mesmo autor (1999) relata que muitos
indivíduos com surdocegueira congênita ou que a adquiram precocemente têm
deficiências associadas como: físicas e intelectuais. Estas quatro categorias
podem ser agrupadas em Surdocegos Congênitos ou Surdocegos Adquiridos. E dependendo
da idade em que a surdocegueira se estabeleceu pode-se classificá-la em
Surdocegos Pré-lingüísticos ou Surdocegos Pós-lingüísticos.
Segundo
Mc Innes (1999) as pessoas com surdocegueira demonstram dificuldade em
observar, compreender e imitar o comportamento de membros da família ou de
outros que venha entrar em contato, devido à combinação das perdas visuais e
auditivas que apresentam. Por isso, as técnicas "mão-sobre-mão" [Mão
sobre mão: a mão do professor é colocada em cima da mão do aluno, de forma a
orientar o seu movimento, o professor tem o controle da situação] ou A Educação
Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar Surdocegueira e Deficiência
Múltipla a "mão sob mão" [Mão sob mão: a mão do professor é colocada em
baixo da mão do aluno de modo a orientar o seu movimento, mas não a controla,
convida a pessoa com deficiência a explorar com segurança] são importantes
estratégias de intervenção para o estabelecimento da comunicação com a criança
com surdocegueira.
Por
que a Surdocegueira não é uma Deficiência Múltipla-
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica
surdocega não recebe as informações sobre o que está sua volta de maneira
fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação para poder receber,
interpretar e conhecer o que lhe cerca.Seu conhecimento do mundo se faz pelo
uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar, cinestésico,
proprioceptivo e vestibular. Na
deficiência Múltipla não garantimos que todas as informações muitas vezes chegam
para a pessoa de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais
distantes (visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são
responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da
vida.
A pessoa com Deficiência Múltipla: No Brasil a deficiência múltipla é
considerada como uma associação de duas deficiências ou mais. Na América
Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Oceania a Deficiência Múltipla só é
considerada se há nas associações das Deficiências a Deficiência Intelectual.
Como
pode ocorrer a Deficiência Múltipla no Brasil:
Física e Psíquica:
·
Deficiência
física associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência
Física associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Sensorial e Psíquica:
·
Deficiência Auditiva/Surdez associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência Visual associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência Auditiva/Surdez associada a Transtornos Globais do
Desenvolvimento.
·
Deficiência Visual associada
a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Sensorial e Física:
·
Deficiência Auditiva/Surdez associada à Deficiência Física.
·
Deficiência Auditiva/Surdez associada à Paralisia Cerebral.
·
Deficiência Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Deficiência
Física.
·
Deficiência Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Paralisia
Cerebral.
Física, Psíquica e Sensorial:
·
Deficiência física associada à deficiência visual (cegueira ou baixa
visão) e a Deficiência Intelectual.
·
Deficiência física associada à Deficiência Auditiva/Surdez e a
Deficiência Intelectual.
·
Deficiência visual (Cegueira e ou baixa visão), paralisia cerebral e
Deficiência Intelectual.
É uma condição heterogênea que identifica diferentes
grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam,
mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento
social" (MEC/SEESP, 2002). As características específicas apresentadas
pelas pessoas com deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos
profissionais que com elas trabalham no que diz respeito à elaboração de
situações de aprendizagem a serem desenvolvidas para que sejam alcançados
resultados positivos ao longo do processo de inclusão. Esses alunos constituem
um grupo com características específicas e peculiares e, consequentemente, com
necessidades únicas. Por isso, faz-se necessário dar atenção a dois aspectos
importantes: a comunicação e o posicionamento. COMUNICAÇÃO- Todas as interações
de comunicação e atividades de aprendizagem devem respeitar a individualidade e
a dignidade de cada aluno com deficiência múltipla. Isto se refere a pessoas
que possuem como característica a necessidade de ter alguém que possa mediar
seu contato com o meio. Assim, ocorrerá o estabelecimento de códigos
comunicativos entre o deficiente múltiplo e o receptor. Esse mediador terá a
responsabilidade de ampliar o conhecimento do mundo ao redor dessa pessoa,
visando a lhe proporcionar autonomia e independência. Todas as pessoas se
comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação
diversas.
POSICIONAMENTO- É
indispensável uma boa adequação postural. Trata-se de colocar o aluno sentado
na cadeira de rodas ou em uma cadeira comum ou, ainda, deitado de maneira
confortável em sala de aula para que possa fazer uso de gestos ou movimentos
com os quais tenham a intenção de comunicar-se e desfrutar das atividades
propostas.
Aspectos
Importantes sobre Comunicação com pessoas com Surdocegueira e com Deficiência
Múltipla
Segundo Maia
(2011), para as pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla
dividimos a comunicação em Receptiva
e Expressiva, para favorecer a
eficiência da transmissão e interpretação.
A comunicação receptiva
ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e
forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode ser recebida por meio de
uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras
fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa que está
recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a
mensagem de quem enviou tentou passar.
A comunicação expressiva
requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra
pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos,
gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras
variações.
O corpo é a realidade
mais imediata do ser humano. A partir e por meio dele, o homem descobre o mundo
e a si mesmo. Portanto, favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da
pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de extrema importância. Para
que a pessoa possa se autoperceber e perceber o mundo exterior, devemos buscar
a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de
seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento
das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da
força muscular.
BIBLIOGRAFIA:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA,
Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo
05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
Texto: Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência
Múltipla.
Elaborado por: Maia, Shirley Rodrigues Mesquita- São Paulo 2011.



