segunda-feira, 26 de maio de 2014

Como ampliar as formas de comunicação dos alunos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) utilizando baixa tecnologia


PRANCHAS E CARTÕES DE COMUNICAÇÃO
O meio pelo qual um texto é apresentado pode limitar a acessibilidade do aluno com deficiência e privá-lo da participação nas aulas. A dificuldade que um aluno encontra na leitura deve ser bem avaliada. Cabe ao professor de AEE constatar a necessidade do aluno selecionar recursos adequados e oferecer oportunidades de aprendizagem, ensinar o manejo do recurso, e orientar tanto o professor quanto os colegas de sala. É importante lembrar que os recursos devem ser avaliados e modificados para acompanhar as necessidades que surgem à medida que o aluno realiza novas experiências na escola.
   Alunos com impedimentos na expressão oral utilizam as pranchas de comunicação para expressarem sua compreensão e interpretação daquilo que está sendo lido. Os recursos devem sempre mediar a ação que se realiza.
Uma prancha de comunicação apresenta de forma organizada, um conjunto de símbolos. Podemos ter uma prancha onde aparecem símbolos que indicam o assunto do qual se pretende falar. Esta prancha pode ser chamada de índice ou pranha principal. Cada símbolo da prancha índice pode ser ser desdobrado em outra prancha temática. Por exemplo: se o aluno apontar em sua prancha índice "preciso de ajuda" recorre a uma outra pranha chamada temática, que apresentará os símbolos que se referem às ajudas necessárias como: "sair da cadeira", "ir ao banheiro", "chegar mais perto" e outros. As pranchas temáticas abordam temas específicos como alimentação, necessidades fisiológicas, escolha de atividades, escolha de lugares, sentimentos, perguntas, um conteúdo que está sendo trabalhado em aula, tomar banho, vestir-se, hábitos de higiene, entre outros. Tendo como finalidade apoiar o desenvolvimento da comunicação autônoma e independente em tarefas rotineiras, beneficiando alunos com qualquer idade, estimulando sua percepção para um nível simples de expressão. Através de ações mediadoras vai se ampliando o nível de desenvolvimento, utilizando instrumentos e signos de forma que a zona proximal do sujeito seja ajustada até que se complete a internalização dos conceitos, aumentando o seu vocabulário através da imagem apresentada de acordo com a atividade proposta, proporcionando situações de aprendizagem, partindo das necessidades e interesses específicos do educando.

A partir da DSM-5 (Manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de Transtornos Mentais), o TGD (Transtornos Globais do Desenvolvimento), passa a se chamar Transtorno do Espectro Autista- TEA, considerando um distúrbio do desenvolvimento neurológico com déficits em dois domínios sociais/comunicações com interesses fixados e comportamentos repetitivos. 
Através desses cartões o professor do AEE pode fazer intervenções selecionando situações problemas, nas quais o aluno possa agir de acordo com a lógica, considerando os fins e os meios a que se propõe para atingir o resultado da situação problema que é a execução da comunicação com independência.
  Esse tipo de atividade é um recurso que promove a comunicação, por meio do qual todos os sujeitos com ou sem deficiência podem transmitir mensagens, sendo adaptadas para necessidades dos alunos com déficits de comunicação. Elas podem ser utilizadas na sala de aula, AEE, na residência, laboratório de informática, etc.


Proporcionar uma forma de CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa) para pessoas que não conseguem se expressar através da fala e/ou escrita, déficits no seu comportamento e interação social tem como consequência a melhoria de sua qualidade de vida, proporcionando-lhe maior autonomia, aumentando sua autoestima e dando-lhes uma oportunidade de sentirem-se num nível de igualdade na sociedade.
O vocabulário a ser utilizado por determinado aluno em seu recurso de comunicação deve ser previamente selecionado. A seleção leva em consideração dados da realidade concreta de cada aluno, tais como: idade, grupo de convívio, as expressões naturalmente utilizadas por ele, as coisas que estão disponíveis em seu ambiente familiar, social e escolar , a manifestação de necessidades que são individuais. É fundamental o envolvimento do aluno, dos familiares, dos professores e todos aqueles que estão diretamente engajados na utilização deste recurso. Os recursos de comunicação de cada pessoa são construídos de forma totalmente personalizada e levam em consideração especificidades que atendem às necessidades deste usuário. 



As pranchas são organizadas pastas de comunicação. Normalmente a prancha índice ou prancha principal posiciona-se na primeira página e as demais ocupam as páginas seguintes.

As pranchas de comunicação servem para facilitar e possibilitar a construção do conhecimento através de objetos, imagens e vocabulários dos símbolos, letras, sílabas, palavras, frases ou números, ambientes, objetos pessoais, alimentos, animais e outros, sendo utilizadas sempre que necessário. Elas são personalizadas e devem considerar as possibilidades cognitivas, visuais e motoras do usuário, conforme as necessidades destes como apoio na melhoria de sua comunicação e interação. 

Considerando que os déficits na comunicação e no desenvolvimento da linguagem se apresentam com níveis de intensidade e gravidade variados, desde a ausência da fala até a fala hiperformal, as pranchas ou cartões de comunicação são estratégias que auxiliam o desenvolvimento na falta de intercâmbios corporais expressivos, comunicação verbal e a carência nos intercâmbio da conversação de forma positiva, favorecendo o desenvolvimento da criança.

REFERÊNCIAS:
APA- Associação Americana de Psiquiatria. DSM-t - Diagnostic and Statistic Manual of Mental Disorders, Fourth  Edition, 2012.
Sartoretto, Mara Lúcia.
A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa / Mara Lúcia Sartoretto, Rita de Cássia  Reeckziegel Bersch.
-Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza] : Universidade Federal do Ceará, 2010.
 


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