Descrição
e Audiodescrição
Quem
audiodescreve transforma imagens em palavras para quem não enxerga poder
assistir filme, peça, desenho, etc., descrevendo tudo o que a imagem quer mostrar.
Acreditamos que todo educador, atuando em qualquer modalidade da educação básica,
seja capaz de incorporar à sua prática docente a utilização de tecnologias
assistivas. E, sendo a audiodescrição uma dessas tecnologias, conclamamos a
todos os educadores comprometidos com a proposta de educar pessoas
independentemente de rótulos ou estigmas, a estudar a sério o potencial dessa
enriquecedora ferramenta pedagógica, na certeza de que os lucros advindos desse
investimento, para além do enriquecimento na própria formação docente, também
implicarão a resposta positiva dos educandos com deficiência, incluídos e
verdadeiramente atuantes.
Vale a pena assistir!
Confira as orientações da NOTA TÉCNICA Nº 21/2012/ MEC/ SECADI/ DPPEE para a descrição de imagem:
A
Lei n° 10.753/2003, que institui a Política Nacional do Livro, em seu Artigo
1º, inciso XII, assegura às pessoas com deficiência visual o acesso à leitura.
A Convenção sobre o Direito das Pessoas com
Deficiência (ONU 2006), ratificada no Brasil, pelo Decreto n° 186/2008 e pelo
Decreto n° 6949/2009, em seu artigo 9º, afirma que “a fim de possibilitar às
pessoas com deficiência viver com autonomia e participar plenamente de todos os
aspectos da vida, os Estados Partes deverão tomar as medidas apropriadas para
assegurar-lhes o acesso, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,
ao meio físico, ao transporte, à informação e comunicação”.
O
decreto n° 7084/2010, que em seu Art. 28 determina que “o Ministério da
Educação adotará mecanismos para promoção da acessibilidade nos programas de
material didático destinados aos alunos da educação especial e seus professores
das escolas de educação básica públicas”, e, em seu parágrafo único que “os
editais dos programas de material didático poderão prever obrigações para os
participantes relativas à apresentação de formatos acessíveis para atendimento
do público da educação especial”.
A
descrição de imagens é a tradução em palavras, a construção de retrato verbal
de pessoas, paisagens, objetos, cenas e ambientes, sem expressar julgamento ou
opiniões pessoais a respeito. Esta descrição deve contemplar os seguintes
requisitos:
1. Identificar o sujeito, objeto ou cena a ser
descrita - O que/quem;
2. Localizar o sujeito, objeto ou cena a ser
descrita Onde;
3.
Empregar adjetivos para qualificar o sujeito, objeto ou cena da descrição -
Como;
4.
Empregar verbos para descrever a ação e advérbio para
5. Descrever as circunstâncias da ação - Faz o
que/como;
6.
Utilizar o advérbio para referenciar o tempo em que ocorre a ação - Quando;
7. Identificar os diversos enquadramentos da
imagem - De onde - , tais como:
a.
Grande plano geral (GPG) - Mostra o cenário todo e é feito de um plano
mais elevado, como em imagens aéreas.
b.
Plano geral - Mostra os personagens e o ambiente no qual estão
inseridos.
c.
Plano americano - Mostra o personagem dos joelhos para cima.
d.
Plano médio - Mostra o personagem da cintura para cima.
e. Primeiro plano - Mostra o personagem do peito
para cima.
f. Primeiríssimo plano ou close-up – Mostra o
rosto do personagem em destaque.
g. Plano detalhe - Mostra uma
parte do corpo de um personagem ou um objeto.
h. Plano plongée ou câmera alta - Enquadramento
de personagens ou objetos feito de cima para baixo.
i. Plano contra-plongée ou câmera baixa -
Enquadramento de personagens ou objetos feito de baixo para cima.
8. Utilizar a aplicação do estilo IMAGE
CAPTION em todas as imagens e após a apresentação da imagem acrescentar os
dados na seguinte ordem: fonte, Legenda e Descrição;
9. Verificar a correspondência entre a imagem
e o texto, a fim de garantir a fidedignidade da descrição;
10.
Usar termos adequados, à área de conhecimento, abordada na
descrição; 11. Identificar os elementos
relevantes, levando-se em consideração aspectos históricos e culturais;
12.
Organizar os elementos descritivos em um todo significativo. Evitar deixar
elementos soltos, inserindo-os em um mesmo período. Começar pelo personagem ou
objeto mais significativo (o que/quem), qualificá-lo (como), localizá-lo
(onde), qualificar o onde (como), explicitar o tempo (quando);
13.
Mencionar cores e demais detalhes;
14.
Mencionar (quando possível) o enquadramento de câmera em fotos, principalmente
quando for importante para o entendimento (close, plano geral, primeiro plano
etc);
15.
Usar artigos indefinidos quando é a primeira vez que aparece determinado
elemento ou pessoa;
16. Usar artigos definidos quando já forem
conhecidos;
17.
Usar o tempo verbal sempre no presente;
18. Mencionar as imagens de fundo, detalhes,
caixas de texto, bordas coloridas que aparecem na página, na parte inferior,
pois os recursos gráficos utilizados traduzem a intenção do autor;
19. Mencionar, na descrição charge, cartun,
história em quadrinho e tira cômica a fonte com a data da publicação (quando
houver), a legenda com o nome do autor e, em seguida, a descrição da imagem;
20. Iniciar a descrição, usando a expressão: a
charge, cartun, história em quadrinho e tira cômica mostra/apresenta;
21. Em histórias considerar alguns aspectos
como idade, faixa etária e considerar a expressão verbal por faixa etária.
22. Descrever elementos gráficos como pontos
de interrogação, exclamação, gotas de suor, raios, formatos diferentes de
balões onde se localizam as falas;
23. Anunciar o número de quadros presentes e a
mudança de um para o outro, quando a charge, cartun, história em quadrinho ou
tira cômica forem constituídos por mais de um quadro, marcando-os com a letra Q
e o número correspondente; 24. Mencionar
quem são e quantos são os personagens, caracterizá-los, falar sobre o cenário e
o tempo (dia, noite, inverno, verão), para depois fazer a descrição de cada
quadrinho. Quando os personagens mudam a roupa no decorrer da história, o fato
deverá ser mencionado no próprio quadrinho. Falar também sobre como aparecem as
falas, se dentro ou fora de balões. Se o desenho do balão apontar para algum
significado, como pensamento ao invés de fala (bolinhas), deverá ser apontado
na descrição do quadro onde aparece;
25.
Anunciar a fala dos personagens, por meio dos verbos: dizer, responder,
perguntar, comentar, continuar, gritar, falar;
26. Discriminar, na descrição de paisagens, as
urbanas das campestres ou marítimas, as paisagens naturais das humanizadas;
27. Manter a imagem da tabela, do fluxograma e
do organograma com a sua descrição, apresentando de forma seqüencial as
informações disponíveis;
28. Reduzir ao máximo, o número de colunas
utilizado;
29.
Sintetizar cabeçalho e rodapé, expressos em poucas palavras;
30. Minimizar a introdução de elementos de
formatação e cor, pois estes contribuem para dispersão no entendimento;
Colega, o educador ciente da importância de verbalizar aquilo que é visual, certamente irá contribuir para aprendizagem de todos os alunos.
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